6 de ago. de 2010

BIOMA: PAMPA



Queridos Alunos, gostaria que ao final da página vocês comentassem, relatando as dificuldades do trabalho, e se possível pondo nome e turma.Ok? Um abraço a todos vocês...

Professor Vítor.'.

Se preferirem posto aqui um Link, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que possui muito conteúdo sobre o Bioma Pampa...

http://www.googlesyndicatedsearch.com/u/ufrgs?hl=pt-BR&ie=ISO-8859-1&q=bioma+pampa&btnG=Pesquisar&sitesearch=

Pampa ou Campos Sulinos


Os Campos da região Sul do Brasil são denominados como “pampa”, termo de origem indígena para “região plana”. Esta denominação, no entanto, corresponde somente a um dos tipos de campo, mais encontrado ao sul do Estado do Rio Grande do Sul, atingindo o Uruguai e a Argentina.
Outros tipos conhecidos como campos do alto da serra são encontrados em áreas de transição com o domínio de araucárias. Em outras áreas encontram-se, ainda, campos de fisionomia semelhantes à savana. Os campos, em geral, parecem ser formações edáficas (do próprio solo) e não climáticas. A pressão do pastoreio e a prática do fogo não permitem o estabelecimento da vegetação arbustiva, como se verifica em vários trechos da área de distribuição dos Campos do Sul.
A região geomorfológica do planalto de Campanha, a maior extensão de campos do Rio Grande do Sul, é a porção mais avançada para oeste e para o sul do domínio morfoestrutural das bacias e coberturas sedimentares. Nas áreas de contato com o arenito botucatu, ocorrem os solos podzólicos vermelho-escuros, principalmente a sudoeste de Quaraí e a sul e sudeste de Alegrete, onde se constata o fenômeno da desertificação. O solo, em geral, de baixa fertilidade natural e bastante suscetível à erosão.
À primeira vista, a vegetação campestre mostra uma aparente uniformidade, apresentando nos topos mais planos um tapete herbáceo baixo – de 60 cm a 1 m -, ralo e pobre em espécies, que se torna mais denso e rico nas encostas, predominando gramíneas, compostas e leguminosas; os gêneros mais comuns são: Stipa, Piptochaetium, Aristida, Melica, Briza. Sete gêneros de cactos e bromeliáceas apresentam espécies endêmicas da região. A mata aluvial apresenta inúmeras espécies arbóreas de interesse comercial.
Na Área de Proteção Ambiental do Rio Ibirapuitã, inserida neste bioma, ocorrem formações campestres e florestais de clima temperado, distintas de outras formações existentes no Brasil. Além disso, abriga 11 espécies de mamíferos raros ou ameaçados de extinção, ratos d’água, cevídeos e lobos, e 22 espécies de aves nesta mesma situação. Pelo menos uma espécie de peixe, cará (Gymnogeophagus sp., Família Cichlidae) é endêmica da bacia do rio Ibirapuitã.
O Pampa Gaúcho está situado no sul do Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, na divisa com o Uruguai. O Pampa é uma região de clima temperado, com temperaturas médias de 18°C, formada por coxilhas onde se situam os campos de produção pecuária e as várzeas que se caracterizam por áreas baixas e úmidas. A região sul tem, na pecuária, uma tradição que se iniciou com a colonização do Brasil.
Os campos no RS ocupam uma área de aproximadamente 40% da área total do estado. O Pampa gaúcho da Campanha Meridional encontra-se dentro da área de maior proporção de campos naturais preservados do Brasil, sendo um dos ecossistemas mais importantes do mundo.


Significado de Bioma Pampa:

Bioma é um conjunto de diferentes ecossistemas. O bioma são as comunidades biológicas, ou seja, as populações de organismos da fauna e da flora interagindo entre si e interagindo também com o ambiente físico chamado biótopo.

O Pampa, também conhecido como campos do sul, ocorre no estado no Rio Grande do Sul e se estende pelo Uruguai e Argentina.
A vegetação dominante é de gramíneas entremeadas por florestas mesófilas, florestas subtropicais (especialmente floresta com araucária) e florestas estacionais. Caracteriza-se pela grande riqueza de espécies herbáceas e várias tipologias campestres, compondo em algumas regiões, ambientes integrados
com a floresta de araucária. Atualmente, este bioma sofre forte pressão sobre seus ecossistemas, com introdução de espécies forrageiras e com a atividade pecuária.

Leite no RS
A pecuária leiteira está em pleno desenvolvimento no Rio Grande do Sul e também no Brasil. Dados da Emater/RS-Ascar de 2007 mostram que o setor lácteo movimenta mais de R$ 8 bilhões por ano e que a cadeia produtiva, direta e indireta, é estimada em 730 mil pessoas.

O Rio Grande do Sul é o segundo na produção de leite, perdendo apenas para Minas Gerais. A produtividade gaúcha é de 2.336 litros/vaca/ano, sendo a segunda maior média estadual, ficando atrás apenas de Santa Catarina (IBGE, 2008). Atualmente, a produção no Estado é de 3,31 bilhões de litros de leite (2,9 bilhões em 2007). Este volume representa 11,7% da produção nacional, que, em 2008, foi de 27,5 bilhões. Enquanto o crescimento da produção nacional é de 5,5% em média, no Rio Grande do Sul o incremento foi de 12,6%. Além disso, o total é de 134.654 produtores gaúchos. A região de Bagé responde por 4% do volume total do Estado, sendo que os principais municípios produtores são Aceguá, Santana do Livramento e Alegrete.

Aliar pesquisa e extensão, um dos objetivos do atual processo de reengenharia pelo qual passa a Embrapa Pecuária Sul Unidade de Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mapa que, junto às instituições parceiras, busca oportunizar, através da realização de dias de campo e workshops, a troca de conhecimentos que venham a beneficiar os atores da cadeia produtiva. Prova disso, foi a realização, entre os dias 02 e 04 de dezembro, da Atualização Técnica em Boas Práticas Agropecuárias Bovinos de Corte.

A atividade visou a capacitação de pesquisadores da Unidade, bem como, de técnicos das instituições ligadas ao projeto que consiste na implantação do Programa Boas Práticas Agropecuárias Bovinos de Corte (BPA) em propriedades rurais da Região Sul. Durante os três dias de evento, realizado na sede da Unidade, em Bagé/RS, os profissionais receberam um treinamento que buscou formar agentes conscientizadores das práticas que integram o projeto, tais como normas e procedimentos que sustentam a implantação de processos de controle e qualidade, o que garantirá a produção de alimentos seguros, atendendo uma demanda de mercado e, principalmente, os anseios dos consumidores.

Como ponto de partida, conforme explicou a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, que atuará como Coordenadora da atividade na Região Sul, Cristina Genro o BPA será implantado nas propriedades que compõem a Associação dos Produtores do Pampa Meridional Apropampa e, ainda, a Associação dos Produtores da Região de Cima da Serra Procima, parceiras nessa nova empreitada. Conforme ela, o projeto, nesta fase, não possibilita agregação de valores de maneira imediata, e sim a redução dos custos de produção por meio de um melhor controle de gestão, controle sanitário e de vendas, além de oportunizar aos empregados inúmeros benefícios, através de uma capacitação.

“O produtor precisa se preocupar com o bem-estar do animal desde o nascimento até sua chegada ao frigorífico e, após, ao prato do consumidor”, é o que afirma o Gerente Regional da Emater/RS-Ascar Carlos Requião. Em relação à aceitação das normativas propostas pelo programa, Requião esclarece que os cuidados já estão sendo adotados por muitos produtores, conscientes da importância da prática, e que o ponto crucial é um tratamento racional, a fim de possibilitar aos rebanhos o menor sofrimento possível, trazendo benefícios que irão refletir diretamente na produtividade.

Em conjunto com várias empresas, instituições e organizações, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulga e lança suas tecnologias, produtos e serviços, através dos diferentes centros de pesquisa representando a instituição a nível nacional.
Nesta edição da feira, participam as unidades Embrapa Pecuária Sul (Bagé-RS), Embrapa Clima Temperado (Pelotas-RS), Embrapa Suínos e Aves (Concórdia-SC), Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves-RS), Embrapa Trigo (Passo Fundo-RS), Embrapa Florestas (Colombo-PR), Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) Embrapa Agroenergia (Brasília-DF), Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF), Embrapa Transferência de Tecnologia (Brasília-DF), Embrapa Informação Tecnológica (Brasília-DF). Todas vão compor cenários sobre certificação e rastreabilidade, com temas de interesse em agroenergia, fitoterápicos, fruticultura de clima temperado e produção animal e vegetal.
A Embrapa Clima Temperado vai apresentar um projeto especial de conhecimento e identificação das riquezas do Bioma Pampa. Um cenário de 40 metros quadrados, apresentando animais vivos e empalhados, com a presença de pastagens nativas e cultivadas e espécies de árvores nativas e exóticas, ao criar um passeio em que o visitante sinta-se envolvido pela paisagem dos campos sulbrasileiros. Como atração, estarão expostos terneiras de corte, ovelhas e cabras.

Um passeio pelas tecnologias - O visitante que realizar a caminhada no ambiente “Conhecendo o Bioma Pampa”, vai ter conhecimento sobre tecnologias, serviços e produtos que estão sendo realizados pela Embrapa, através de painéis inseridos em cada recanto do cenário e com o apoio de pesquisadores e técnicos que estarão acompanhando o trajeto.
As tecnologias que estão inseridas neste ambiente são:
1) Processo de caracterização, produção agroecológica e desenvolvimento sustentável no Bioma Pampa. A ecologização da produção pecuária familiar na região da Serra do Bioma Pampa tem o objetivo de introduzir novas práticas de produção animal, valorizando a riqueza e a diversidade do ambiente e promovendo o uso de tecnologias mais sustentáveis.
2) Conservação de recursos genéticos forrageiros nativos e programa de melhoramento genético com forrageiras cultivadas. O programa de melhoramento genético forrageiro busca o lançamento de cultivares de estação fria com potencial produtivo para a época da maior escassez alimentar no Bioma Pampa, como: azevém, trevos branco e vermelho, capim lanudo e cornichão. A Embrapa Pecuária Sul ainda mantém um banco de recursos genéticos forrageiros nativos compotencial para um futuro programa de lançamento de cultivares, incluindo acessos de: Paspalum dilatatum (Capim Melador), Paspalum notatum (Grama Forquilha), Paspalum regnelli (Capim Regneli) e Bromus auleticus (Cevadilha).
3) Estratégias para a contenção de invasão do Capim Annoni nos campos sulbrasileiros. A crescente infestação com o Capim Annoni ameaça um dos principais componentes naturais do Bioma Pampa. A Embrapa Pecuária Sul está desenvolvendo estratégias para regeneração e manejo para as áreas de pastagens naturais e cultivadas invadidas por Annoni, baseadas na fisiologia da planta, no uso racional de herbicidas, na integração com sistemas agrícolas e silviculturais.
4) Caracterização do processo de seleção e composição da dieta em bovinos em ambientes pastoris naturais do Bioma Pampa. A existência de uma relação entre diversidade florística e a qualidade do produto animal mostra que a diversidade de espécies forrageiras da pastagem pode ser uma das questões chave para a caracterização de áreas produtoras de carne de qualidade. As melhores estratégias de manejo da pastagem natural e dos bovinos, visando o desempenho produtivo e qualidade de carne, passam necessariamente pelo processo de identificação de como os animais procedem a busca e a ingestão do alimento em ambiente pastoril diverso e heterogêneo, como o Bima Pampa.
5) Identificação de raças e cruzamentos de bovinos de corte adaptados ao ambiente do Bioma Pampa. Esta tecnologia permitirá a identificação dos genótipos melhores adaptados entre as raças puras Hereford, Angus, Nelore e Caracu e cruzamentos, visando o desempenho produtivo, reprodutivo, materno, resistência à parasitas, temperamento e qualidade da carne em distintos ambientes do Pampa Gaucho.
6) Desenvolvimento de técnicas e recomendações para a reprodução em rebanhos bovinos e ovinos. A baixa taxa prolificidade de matrizes e o alto índice de mortalidade de cordeiros são entraves para o desenvolvimento da atividade de ovinocultura em rebanhos do Sul do Brasil. A Embrapa Pecuária Sul estuda a introdução de um gene mutante para incrementar a taxa reprodutiva dos rebanhos ovinos comerciais e reduzir a mortalidade dos cordeiros nascidos mediante suplementação nutricional durante o final de gestação das ovelhas. Estas tecnologias buscam duplicar a quantidade de carne produzida por ovelha acasalada na região do Bioma Pampa.
7) Desenvolvimento de sistemas alternativos para o controle de endo e ectoparasitas em rebanhos bovinos e ovinos. A Embrapa Pecuária Sul desenvolve estudos em sanidade animal via identificação de tolerância genética à endoparasitoses em ovinos, à Tristeza Parasitária e sua relação à infestação de carrapatos em bovinos das raças puras Angus, Hereford, Nelore, Caracu e cruzamentos no Bioma Pampa. O controle de parasitas em ovinos vem enfrentando o crescente problema de resistência aos medicamentos. Através de estudos com fitoterápicos, a Embrapa está identificando e testando extratos de plantas do Bioma Pampa que possuam potencial anti-helmíntico, como: Hortelã, Canafístula, Pitangueira e Guabiju.

Sob coordenação do pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Jamir Luís Silva da Silva, o evento, que acontece em dezembro, tem como objetivo sintetizar as informações sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e tecnologias para uso sustentável do Bioma Pampa, ecossistema caracterizado por campos nativos com pastagens nativas entremeadas por matas de galerias. O bioma Pampa ocupa área correspondente a 63% do território gaúcho, estendendo-se pelo Uruguai (15%), pela Argentina (10%) e pelo Paraguai (5%).
No evento, de forma sistêmica, serão esclarecidas dúvidas e questões sobre o ILPF através de palestras e debates técnicos. De acordo com o pesquisador Jamir, o Workshop será realizado com a intenção de despertar para o uso sustentável dos sistemas de produção integrada nesse ecossistema. “Esperamos obter subsídios para o desenvolvimento de uma plataforma de pesquisa, inovação e tecnologias adequadas ao bioma Pampa”, acrescentou Jamir.

BIOMA PAMPA

Bioma é um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação próximos e identificáveis em escala regional, com condições de solo e clima similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria daquela região.

O Brasil é constituído por seis Biomas distintos que são; Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, e Pampa, sendo esse último com área aproximada de 176.496 Km2, ocupando a área de 2,07% do total do Brasil.

No Brasil, o Bioma Pampa só ocorre no Rio Grande do Sul.

Equivocadamente, quando pensamos em meio ambiente e em biodiversidade vem à nossa mente a imagem da Amazônia, com suas árvores exuberantes. O problema é que nossos olhos já estão tão acostumados à paisagem local que perdemos a sensibilidade para conseguirmos enxergar os detalhes da grande riqueza de espécies vegetais e animais que nos cercam.

Não se conhece exatamente o que resta de vegetação original do Pampa e o grau de preservação destas áreas. As atividades agrícolas de larga escala como o arroz e a soja são os principais fatores de degradação do bioma. Grandes áreas alagadas, onde antes havia banhados, foram drenadas para o plantio de arroz. Não existem números oficiais sobre as áreas de banhados perdidas. A fruticultura também vem gerando impacto, mas em menor escala por ocupar áreas menores. A degradação também ocorre pelo pastoreio intensivo. Esta atividade é um dos principais fatores de aceleração do processo de arenização que ocorre em parte do Estado: são terras transformando-se em grandes areais, com enormes voçorocas, em um processo popularmente chamado de desertificação. Este é um processo natural intensificado pelo uso incorreto do solo. Por outro lado, foi a pecuária extensiva, praticada em todo o Pampa, que garantiu a sua preservação. A criação de gado em vastos campos é a imagem da cultura gaúcha, a identidade do povo que se identifica como gaúcho ao invés de sul-rio-grandense.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O Bioma Pampa é característico da América do Sul, ocorrendo em três países:

▪ Argentina, Uruguai e Brasil; neste último, abrange áreas de somente um estado, o Rio Grande do Sul, em cerca de 60 % do seu território;

▪ No Rio Grande do Sul, o Bioma Pampa concentra-se na chamada Metade Sul do Estado, área sob a qual se estende uma grande parte do Aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce subterrânea do planeta;

▪ No Bioma Pampa, existem 88 áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade, definidas com a participação de variados setores da sociedade gaúcha.

Apesar de sua riqueza, o Pampa é um dos Biomas com menor percentual de área legalmente protegida. Nas áreas de ocorrência do Bioma Pampa stricto sensu - regiões da Campanha, Depressão Central, Serra do Sudeste e Missões – somente 0,04% (cerca de 7.000 hectares) estão em Unidades de Conservação de Proteção Integral, nenhuma federal. Na área junto à fronteira com o Uruguai, existe uma unidade de uso sustentável federal, a Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã.

O Bioma Pampa já apresenta passivos ambientais que, pela difícil reversibilidade, são considerados graves, tais como a arenização de extensas áreas, a alteração da fauna e flora nativas pela invasão de espécies exóticas e a supressão de extensas áreas com ecossistemas nativos (campos, banhados e matas) para uso agropecuário.

Nos últimos anos, o Bioma Pampa transformou-se em região prioritária para a implantação de um grande pólo mundial de silvicultura e produção de celulose, abrangendo áreas da Argentina, Uruguai e Brasil. Para a efetivação desse projeto no

Estado do Rio Grande do Sul, a área do Bioma Pampa foi dividida em 3 sub-áreas por parte de 3 grandes empresas: Aracruz Celulose, Stora Enso e Votorantim Celulose e Papel (VCP);

Devem ser levados em conta, com muita atenção, os exemplos de impactos ambientais negativos gerados pela implantação, sem o devido planejamento, de grandes projetos de silvicultura e produção de celulose em outras regiões do Brasil.

Dada a magnitude e abrangência dos investimentos e áreas previstas para a implantação dos projetos de silvicultura e de produção de celulose no Bioma Pampa,

pode-se prever fortes impactos negativos não somente de caráter ambiental, mas também sociais e culturais se tais projetos não forem precedidos de planejamento ambiental adequado.

Com vistas a indicar áreas com potencialidades ou restrições à implantação da silvicultura, de forma a orientar o licenciamento ambiental, foi proposto um Zoneamento Ambiental para esta atividade por meio de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta.

AVALIAÇÃO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL DA SILVICULTURA

A proposta de Zoneamento Ambiental para a Atividade de Silvicultura no Rio Grande do Sul, elaborada pela FEPAM em conjunto com a Fundação Zoobotânica (FZB), é de inegável qualidade técnica, contemplando, com ampla base científica, os critérios e diretrizes necessárias à garantia das condições mínimas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade, recursos naturais e paisagem do Bioma Pampa no Estado.

A abordagem feita pelo Zoneamento – Unidades de Paisagem Natural (UPN) – mostra-se adequada aos propósitos do estudo, ao integrar diferentes elementos ambientais e sócio-econômicos, considerando ainda as peculiaridades de cada unidade quanto às suas vulnerabilidades e potencialidades ao plantio de árvores exóticas.

O Zoneamento incorpora as informações mais recentes e até então inéditas sobre o Bioma Pampa, tais como: o Mapa dos Remanescentes da Vegetação do Bioma e o Mapa das Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios do Bioma Pampa; ambos elaborados com a participação da comunidade científica gaúcha.

O Zoneamento atende de forma satisfatória às fragilidades ambientais verificadas em extensas áreas do Pampa, especialmente a arenização e a deficiência hídrica, fatores limitantes à própria viabilidade/continuidade de atividades econômicas em implantação, como a silvicultura, ou mesmo aquelas tradicionalmente desenvolvidas na região, como a pecuária extensiva e o cultivo de arroz irrigado.

O Zoneamento Ambiental da Silvicultura está de acordo com os mais modernos princípios, normas e critérios para o plantio de florestas comerciais de forma ambientalmente sustentável. Ao contrário de inviabilizar os investimentos propostos, o GT entende que o Zoneamento apenas estabelece regras que visam à gestão ambiental integrada e ao estímulo ao uso sustentável dos recursos ambientais, evitando o acirramento de conflitos ambientais já existentes (déficit hídrico, arenização, etc.) e conferindo, inclusive, maior segurança e sustentabilidade ambiental e legal aos próprios projetos a serem implantados.

A elaboração e implementação do Zoneamento Ambiental da Silvicultura poderá colocar o Rio Grande do Sul como Estado pioneiro no planejamento do uso de seus recursos naturais para esta atividade no Brasil.

Em razão de sua abrangência e qualidade técnica, o Zoneamento poderá servir como instrumento orientador e de referência para a elaboração de diretrizes visando à implantação de outras atividades econômicas além da silvicultura, como o plantio de frutíferas, cana-de-açúcar e mamona, iniciativas que começam a ser intensificadas no Bioma Pampa.

De acordo com o relatório anual de sustentabilidade da Aracruz 2007, “A economia mundial manteve seu ritmo de expansão em 2007, propiciando um ambiente positivo para a indústria de papel e celulose, apesar das incertezas sobre o desempenho da economia americana.

A demanda mundial por papel e papelão registrou um crescimento de 2,7% em comparação com o ano anterior, superando 390 milhões de toneladas. Na América do Norte, Europa e Ásia, os principais mercados consumidores, houve crescimento em todos os tipos de papel produzidos com celulose de mercado – imprimir e escrever, tissues (sanitários) e especiais.

A celulose de eucalipto registrou aumento de demanda superior a 17% - equivalente a 1,4 milhões de toneladas – o que alavancou todo o segmento de celulose de mercado, que cresceu 5% em relação a 2006.

A escassez de celulose ao longo de toda a cadeia de distribuição afetou a oferta, contribuindo para a redução dos estoques em poder dos produtores mundiais de celulose de mercado. Diversos fatores, como falta de madeira, paradas para manutenção e problemas técnicos em algumas unidades produtivas, além de questões cambiais, concorreram para essa diminuição da oferta.

Apesar das expansões de capacidade esperadas na América Latina, o mercado de celulose deverá permanecer em equilíbrio nos próximos anos, com aumento na demanda pela fibra de eucalipto, o que deverá gerar a continuidade de um ambiente favorável à estratégia de crescimento das empresas localizadas no cone sul".

Estas eram as perspectivas antes das quedas do "sub-prime", após este evento descrito anteriormente, o cenário muda drasticamente em função das incertezas para o futuro, visto que os investimentos alem de elevados, demandam de um tempo de maturação bastante longo.

As empresas envolvidas com investimentos diretos na região (VCP, Aracruz e Stora Enso), resolvem diminuir a velocidade dos investimentos como forma de defesa e ganho de tempo para uma melhor avaliação de perspectivas futuras.

Os investimentos em novas plantas (VCP/Stora Enso) ou ampliação da atual estrutura (Aracruz) são paralisados, porém os investimentos em terras e plantio de eucalipto são mantidos em um ritmo menor (VCP passa de 20.000 ha/ano para 10.000 ha/ano, Stora Enso passa de 20.000 ha/ano para 10.000 ha/ano).

Os motivos destas decisões são: uma perspectiva de crescimento de demanda duvidosa nos principais mercados consumidores, onde com o menor consumo, poderá ocorrer uma redução do preço da celulose (somente em outubro ocorreu uma redução de 7 % do preço na America do Norte).

Adequação dos níveis de estoque nos mercados consumidores devido a uma oferta menor de crédito disponível às empresas, o que em um primeiro momento leva a uma redução de compras e adaptação ao novo cenário.

Apesar do cenário desfavorável, a região deverá ter um impacto menor graças às possibilidades de produção muito favoráveis em relação a outras regiões do mundo, visto que na região do Bioma Pampa, os níveis de produtividade de plantas para produção de celulose de fibra curta encontram-se em 41 m3/ha/ano (Brasil), enquanto em outros países as produtividades são as seguintes: Chile 30 m3/ha/ano, África do Sul 20 m3/ha/ano, Espanha 10 m3/ha/ano e Finlândia 4 m3/ha/ano.

Com este diferencial agronômico tão favorável, o país continua muito competitivo no cenário mundial, conseguindo custos competitivos, escala de produção adequada, gestão correta e produção sustentável, tornando-se um competidor muito forte com as empresas que aqui estão instaladas.

O QUE IRÁ ACONTECER COM A BOLSA DE VALORES NOS PRÓXIMOS MESES?

Há inúmeros adivinhos de plantão, todos eles dando seus “palpites” sobre o desempenho futuro da Bovespa. O fato é que a bolsa de valores, por mais que detenha hoje mecanismos visando negociações mais justas e honestas, não deixará nunca de ser de certo modo e em determinadas ocasiões, manipulada por detentores de grande “poder de fogo”, ou seja, investidores individuais ou mais certamente, grandes fundos, com muita “bala na agulha” como se diz popularmente, influenciando a alta ou a queda dos papéis, conforme seu interesse. Obviamente ninguém irá admitir isto, sob pena de punição junto a CVM, porém a realidade é que em maior ou menor grau, isto sempre ocorreu e sempre irá ocorrer. Então como, sendo um pequeno aplicador, você pode se defender destes movimentos de interesse dos grandes aplicadores? A verdade é que se você aplicar em papéis sólidos, você não tem o que temer, pois no médio e longo prazos, você sempre irá ganhar, através do bom desempenho destas empresas, mesmo que você tenha se entusiasmado e comprado um papel no momento em que ele está caro. Se este foi o seu caso recente, o que você deve fazer agora, se possível, ao ver seu papel perdendo valor, é comprar mais deste papel, no sentido de reduzir seu preço médio de aquisição e ao acontecer a inevitável reação na cotação do mesmo no futuro, você obter maior ganho. Por isso é sempre aconselhável não aplicar de forma alguma em bolsa, um dinheiro do qual você terá de dispor no futuro próximo e também procurar “entrar”, quando você acha que todo mundo está desprezando este tipo de aplicação. Lembre-se: infelizmente no mercado de ações, sempre há os que ganham e os que perdem, de que lado você quer estar?

BRASIL

A crise no Brasil, ao contrário da “Ilha da Fantasia” criada pelo governo Lula está levando o país a um colapso financeiro sem precedentes. A Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, que movimenta 70% de todo o comércio da América Latina, perdeu nesta semana, mais que em todo o mês de setembro, que foi o segundo pior mês de 2008 para a bolsa paulista.

Paralisou as atividades duas vezes no mesmo dia, com perdas acima de 15% e nestes três primeiros dias da semana a Bovespa teve perda acumulada de 12,33%, em todo o mês de setembro, foram 11,33% de perdas. Outro sinal de grande agravamento da crise no Brasil é a saída de capital estrangeiro da Bovespa e dos mercados em geral. Este ano entre saídas e entrada de investimento há um déficit de R$ 17,81 bilhões. Com isso, as exportações brasileiras ficam completamente comprometidas. Com pouco dinheiro estrangeiro no País, para investimentos, e com a queda vertiginosa das commodities, as exportações, grande fonte de renda do governo nos últimos anos está praticamente nula. Tanto que o governo Lula está preparando um investimento de R$ 10 bilhões para dar aos exportadores.

A perspectiva para os próximos dias é de agravamento total desta crise que vai colocar os países do mundo todo em um colapso financeiro com sérias características revolucionárias.

A subida vertigionosa do dólar como índice da massiva fuga de capitais projeta uma forte tendência inflacionária para o próximo período e obrigou o governo a realizar três leilões da moeda norte-americana para acalmar temporariamente o mercado, mas sem resolver nenhum problema real. O governo anunciou também que foi obrigado a utilizar as reservas cambiais em um montante não definido.

CONCLUSÃO

Hoje, as grandes plantações de eucalipto são as preocupações de ambientalistas e técnicos da área ambiental. As plantações de árvores exóticas em áreas de campos nativos trarão, inevitavelmente, perda da biodiversidade, alteração significativa da paisagem e da economia regional, estas últimas que são a base da cultura gaúcha. Isto sem contar é claro com os demais impactos desta atividade econômica e de toda sua cadeia produtiva.

O que preservou o Pampa foi o pastoreio. Na metade sul do Rio Grande do Sul há principalmente latifúndios e na metade norte pequeno e médias propriedades. A área de Mata Atlântica, situada na parte norte, foi devastada, principalmente, pelo médio e pequeno produtor rural. Na metade sul, em razão dos grandes latifúndios e do pastoreio, o Pampa foi preservado. Nos dias de hoje, a pecuária não se sustenta economicamente. Não existem políticas públicas de incentivo à pecuária e a conseqüente preservação do Pampa. Para a pecuária voltar a ter importância econômica no Rio Grande do Sul é necessária, por exemplo, a revisão dos padrões de lotação do campo, uma vez que hoje se usa a mesma taxa de produtividade em todo o Brasil. É imprescindível essa revisão de produtividade visando garantir realmente um desenvolvimento sustentável para região. Existem políticas públicas de incentivo as grandes indústrias, mas não há políticas públicas de incentivo à pecuária e à agricultura diversificada. Não existe incentivo para agropecuária: nem para a pequena e nem para a grande produção.

Assim, é necessário criar políticas públicas que beneficiem os produtores rurais (pequenos, médios e grandes). O reconhecimento do Pampa tem que começar pelas entidades ambientalistas. Desta forma vai começar haver uma conscientização de que o Pampa é algo muito maior, que vai além dos eucaliptos, que vai além de mineração de carvão ou das plantações de arroz.

O Senado se preocupa com os Pampas:

Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) tem uma pauta de cem itens para votar no próximo dia 4 de agosto, entre eles, proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) que inclui os Pampas na lista dos biomas brasileiros. Na definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BGE), bioma é o conjunto de espécies animais e vegetais que compartilham uma diversidade biológica própria.
A proposta (PEC 5/09) também inclui, na mesma lista, o Cerrado e a Caatinga. O Senado já aprovou uma matéria tratando desses dois biomas. De autoria do senador Demóstenes Torres, a PEC 51/03 agora tramita na Câmara dos Deputados.
Desde que o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, a Eco-92, o respeito aos biomas vem ganhando espaço nas políticas públicas e estratégias de crescimento das empresas brasileiras, assim como nas campanhas realizadas por organizações não governamentais preocupadas com o meio ambiente.
Na justificação de sua proposta, o senador Paulo Paim afirma que, só em 2003, com base na análise das diferentes vegetações, foram tecnicamente definidos os sete biomas nacionais. São eles: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Costeiro, Caatinga, Pantanal e Campos Sulinos (Pampas).
Hoje a Constituição menciona apenas a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. Pelo projeto, a Serra do Mar não seria mais citada. Com a entrada de Cerrado, Caatinga e Pampas, a lista ficará com sete itens. O mapa dos biomas nacionais é referência para a fixação de políticas públicas diferenciadas e para o acompanhamento, pela sociedade, das ações de proteção ambiental conduzidas no país.
Relatora da matéria na CCJ, a senadora Marina Silva (PV-AC) afirma que a inclusão do conceito de bioma no planejamento de obras públicas, instalação e expansão de fábricas, fazendas, empreendimentos imobiliários, hoteleiros e turísticos poderá mudar a lógica de desenvolvimento do Brasil, que antes tratava o meio ambiente mais como problema que como solução para uma economia mais limpa e sustentável.
Marina diz, em seu relatório, que os Pampas são o único bioma brasileiro situado nos limites de um único Estado, que ocupa 63% do território gaúcho. Ela afirma que, por não ser uma formação florestal, os Pampas não têm sido tratados como área prioritária para conservação, tendo apenas 1% de seu território protegido. De acordo com a senadora, a biodiversidade dos Pampas tem declinado bastante em decorrência da expansão acelerada da atividade agropecuária naquela região.


RESUMO

A economia do RS, historicamente, evoluiu, tendo por base a pecuária, agricultura, a exploração florestal, em especial da araucária, e seus subprodutos; as principais culturas são arroz, soja, milho, fumo, trigo e frutas. Com a expansão da economia, em especial do mercado de exportação, ocorreu também uma expansão da fronteira agrícola, avançando em muitas regiões sobre locais de grande fragilidade ambiental, colocando em risco a biodiversidade e a sobrevivência das populações locais. Essa situação é, claramente, devida à falta de valorização dos recursos naturais, em geral, e da biodiversidade, em particular.

Outras atividades como a exploração de recursos minerais, a produção de energia elétrica, o extrativismo predatório, a introdução de espécies exóticas invasoras, a ocupação de áreas de preservação permanente e o processo de urbanização acelerado são ameaças graves às condições de sobrevivência dos recursos bióticos do Estado.

Palavras-chave: economia, biodiversidade, recursos naturais.
Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Scherer Duarte y Mauch Palmeira: "O impacto da crise econômica americana no bioma pampa" en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 105, 2008. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/

BIOMA PAMPA

Bioma é um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação próximos e identificáveis em escala regional, com condições de solo e clima similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria daquela região.

O Brasil é constituído por seis Biomas distintos que são; Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, e Pampa, sendo esse último com área aproximada de 176.496 Km2, ocupando a área de 2,07% do total do Brasil.

No Brasil, o Bioma Pampa só ocorre no Rio Grande do Sul.

Equivocadamente, quando pensamos em meio ambiente e em biodiversidade vem à nossa mente a imagem da Amazônia, com suas árvores exuberantes. O problema é que nossos olhos já estão tão acostumados à paisagem local que perdemos a sensibilidade para conseguirmos enxergar os detalhes da grande riqueza de espécies vegetais e animais que nos cercam.

Não se conhece exatamente o que resta de vegetação original do Pampa e o grau de preservação destas áreas. As atividades agrícolas de larga escala como o arroz e a soja são os principais fatores de degradação do bioma. Grandes áreas alagadas, onde antes havia banhados, foram drenadas para o plantio de arroz. Não existem números oficiais sobre as áreas de banhados perdidas. A fruticultura também vem gerando impacto, mas em menor escala por ocupar áreas menores. A degradação também ocorre pelo pastoreio intensivo. Esta atividade é um dos principais fatores de aceleração do processo de arenização que ocorre em parte do Estado: são terras transformando-se em grandes areais, com enormes voçorocas, em um processo popularmente chamado de desertificação. Este é um processo natural intensificado pelo uso incorreto do solo. Por outro lado, foi a pecuária extensiva, praticada em todo o Pampa, que garantiu a sua preservação. A criação de gado em vastos campos é a imagem da cultura gaúcha, a identidade do povo que se identifica como gaúcho ao invés de sul-rio-grandense.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O Bioma Pampa é característico da América do Sul, ocorrendo em três países:

▪ Argentina, Uruguai e Brasil; neste último, abrange áreas de somente um estado, o Rio Grande do Sul, em cerca de 60 % do seu território;

▪ No Rio Grande do Sul, o Bioma Pampa concentra-se na chamada Metade Sul do Estado, área sob a qual se estende uma grande parte do Aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce subterrânea do planeta;

▪ No Bioma Pampa, existem 88 áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade, definidas com a participação de variados setores da sociedade gaúcha.

Apesar de sua riqueza, o Pampa é um dos Biomas com menor percentual de área legalmente protegida. Nas áreas de ocorrência do Bioma Pampa stricto sensu - regiões da Campanha, Depressão Central, Serra do Sudeste e Missões – somente 0,04% (cerca de 7.000 hectares) estão em Unidades de Conservação de Proteção Integral, nenhuma federal. Na área junto à fronteira com o Uruguai, existe uma unidade de uso sustentável federal, a Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã.

O Bioma Pampa já apresenta passivos ambientais que, pela difícil reversibilidade, são considerados graves, tais como a arenização de extensas áreas, a alteração da fauna e flora nativas pela invasão de espécies exóticas e a supressão de extensas áreas com ecossistemas nativos (campos, banhados e matas) para uso agropecuário.

Nos últimos anos, o Bioma Pampa transformou-se em região prioritária para a implantação de um grande pólo mundial de silvicultura e produção de celulose, abrangendo áreas da Argentina, Uruguai e Brasil. Para a efetivação desse projeto no

Estado do Rio Grande do Sul, a área do Bioma Pampa foi dividida em 3 sub-áreas por parte de 3 grandes empresas: Aracruz Celulose, Stora Enso e Votorantim Celulose e Papel (VCP);

Devem ser levados em conta, com muita atenção, os exemplos de impactos ambientais negativos gerados pela implantação, sem o devido planejamento, de grandes projetos de silvicultura e produção de celulose em outras regiões do Brasil.

Dada a magnitude e abrangência dos investimentos e áreas previstas para a implantação dos projetos de silvicultura e de produção de celulose no Bioma Pampa,

pode-se prever fortes impactos negativos não somente de caráter ambiental, mas também sociais e culturais se tais projetos não forem precedidos de planejamento ambiental adequado.

Com vistas a indicar áreas com potencialidades ou restrições à implantação da silvicultura, de forma a orientar o licenciamento ambiental, foi proposto um Zoneamento Ambiental para esta atividade por meio de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta.

AVALIAÇÃO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL DA SILVICULTURA

A proposta de Zoneamento Ambiental para a Atividade de Silvicultura no Rio Grande do Sul, elaborada pela FEPAM em conjunto com a Fundação Zoobotânica (FZB), é de inegável qualidade técnica, contemplando, com ampla base científica, os critérios e diretrizes necessárias à garantia das condições mínimas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade, recursos naturais e paisagem do Bioma Pampa no Estado.

A abordagem feita pelo Zoneamento – Unidades de Paisagem Natural (UPN) – mostra-se adequada aos propósitos do estudo, ao integrar diferentes elementos ambientais e sócio-econômicos, considerando ainda as peculiaridades de cada unidade quanto às suas vulnerabilidades e potencialidades ao plantio de árvores exóticas.

O Zoneamento incorpora as informações mais recentes e até então inéditas sobre o Bioma Pampa, tais como: o Mapa dos Remanescentes da Vegetação do Bioma e o Mapa das Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios do Bioma Pampa; ambos elaborados com a participação da comunidade científica gaúcha.

O Zoneamento atende de forma satisfatória às fragilidades ambientais verificadas em extensas áreas do Pampa, especialmente a arenização e a deficiência hídrica, fatores limitantes à própria viabilidade/continuidade de atividades econômicas em implantação, como a silvicultura, ou mesmo aquelas tradicionalmente desenvolvidas na região, como a pecuária extensiva e o cultivo de arroz irrigado.

O Zoneamento Ambiental da Silvicultura está de acordo com os mais modernos princípios, normas e critérios para o plantio de florestas comerciais de forma ambientalmente sustentável. Ao contrário de inviabilizar os investimentos propostos, o GT entende que o Zoneamento apenas estabelece regras que visam à gestão ambiental integrada e ao estímulo ao uso sustentável dos recursos ambientais, evitando o acirramento de conflitos ambientais já existentes (déficit hídrico, arenização, etc.) e conferindo, inclusive, maior segurança e sustentabilidade ambiental e legal aos próprios projetos a serem implantados.

A elaboração e implementação do Zoneamento Ambiental da Silvicultura poderá colocar o Rio Grande do Sul como Estado pioneiro no planejamento do uso de seus recursos naturais para esta atividade no Brasil.

Em razão de sua abrangência e qualidade técnica, o Zoneamento poderá servir como instrumento orientador e de referência para a elaboração de diretrizes visando à implantação de outras atividades econômicas além da silvicultura, como o plantio de frutíferas, cana-de-açúcar e mamona, iniciativas que começam a ser intensificadas no Bioma Pampa.

De acordo com o relatório anual de sustentabilidade da Aracruz 2007, “A economia mundial manteve seu ritmo de expansão em 2007, propiciando um ambiente positivo para a indústria de papel e celulose, apesar das incertezas sobre o desempenho da economia americana.

A demanda mundial por papel e papelão registrou um crescimento de 2,7% em comparação com o ano anterior, superando 390 milhões de toneladas. Na América do Norte, Europa e Ásia, os principais mercados consumidores, houve crescimento em todos os tipos de papel produzidos com celulose de mercado – imprimir e escrever, tissues (sanitários) e especiais.

A celulose de eucalipto registrou aumento de demanda superior a 17% - equivalente a 1,4 milhões de toneladas – o que alavancou todo o segmento de celulose de mercado, que cresceu 5% em relação a 2006.

A escassez de celulose ao longo de toda a cadeia de distribuição afetou a oferta, contribuindo para a redução dos estoques em poder dos produtores mundiais de celulose de mercado. Diversos fatores, como falta de madeira, paradas para manutenção e problemas técnicos em algumas unidades produtivas, além de questões cambiais, concorreram para essa diminuição da oferta.

Apesar das expansões de capacidade esperadas na América Latina, o mercado de celulose deverá permanecer em equilíbrio nos próximos anos, com aumento na demanda pela fibra de eucalipto, o que deverá gerar a continuidade de um ambiente favorável à estratégia de crescimento das empresas localizadas no cone sul".

Estas eram as perspectivas antes das quedas do "sub-prime", após este evento descrito anteriormente, o cenário muda drasticamente em função das incertezas para o futuro, visto que os investimentos alem de elevados, demandam de um tempo de maturação bastante longo.

As empresas envolvidas com investimentos diretos na região (VCP, Aracruz e Stora Enso), resolvem diminuir a velocidade dos investimentos como forma de defesa e ganho de tempo para uma melhor avaliação de perspectivas futuras.

Os investimentos em novas plantas (VCP/Stora Enso) ou ampliação da atual estrutura (Aracruz) são paralisados, porém os investimentos em terras e plantio de eucalipto são mantidos em um ritmo menor (VCP passa de 20.000 ha/ano para 10.000 ha/ano, Stora Enso passa de 20.000 ha/ano para 10.000 ha/ano).

Os motivos destas decisões são: uma perspectiva de crescimento de demanda duvidosa nos principais mercados consumidores, onde com o menor consumo, poderá ocorrer uma redução do preço da celulose (somente em outubro ocorreu uma redução de 7 % do preço na America do Norte).

Adequação dos níveis de estoque nos mercados consumidores devido a uma oferta menor de crédito disponível às empresas, o que em um primeiro momento leva a uma redução de compras e adaptação ao novo cenário.

Apesar do cenário desfavorável, a região deverá ter um impacto menor graças às possibilidades de produção muito favoráveis em relação a outras regiões do mundo, visto que na região do Bioma Pampa, os níveis de produtividade de plantas para produção de celulose de fibra curta encontram-se em 41 m3/ha/ano (Brasil), enquanto em outros países as produtividades são as seguintes: Chile 30 m3/ha/ano, África do Sul 20 m3/ha/ano, Espanha 10 m3/ha/ano e Finlândia 4 m3/ha/ano.

Com este diferencial agronômico tão favorável, o país continua muito competitivo no cenário mundial, conseguindo custos competitivos, escala de produção adequada, gestão correta e produção sustentável, tornando-se um competidor muito forte com as empresas que aqui estão instaladas.



CONCLUSÃO

Hoje, as grandes plantações de eucalipto são as preocupações de ambientalistas e técnicos da área ambiental. As plantações de árvores exóticas em áreas de campos nativos trarão, inevitavelmente, perda da biodiversidade, alteração significativa da paisagem e da economia regional, estas últimas que são a base da cultura gaúcha. Isto sem contar é claro com os demais impactos desta atividade econômica e de toda sua cadeia produtiva.

O que preservou o Pampa foi o pastoreio. Na metade sul do Rio Grande do Sul há principalmente latifúndios e na metade norte pequeno e médias propriedades. A área de Mata Atlântica, situada na parte norte, foi devastada, principalmente, pelo médio e pequeno produtor rural. Na metade sul, em razão dos grandes latifúndios e do pastoreio, o Pampa foi preservado. Nos dias de hoje, a pecuária não se sustenta economicamente. Não existem políticas públicas de incentivo à pecuária e a conseqüente preservação do Pampa. Para a pecuária voltar a ter importância econômica no Rio Grande do Sul é necessária, por exemplo, a revisão dos padrões de lotação do campo, uma vez que hoje se usa a mesma taxa de produtividade em todo o Brasil. É imprescindível essa revisão de produtividade visando garantir realmente um desenvolvimento sustentável para região. Existem políticas públicas de incentivo as grandes indústrias, mas não há políticas públicas de incentivo à pecuária e à agricultura diversificada. Não existe incentivo para agropecuária: nem para a pequena e nem para a grande produção.

Assim, é necessário criar políticas públicas que beneficiem os produtores rurais (pequenos, médios e grandes). O reconhecimento do Pampa tem que começar pelas entidades ambientalistas. Desta forma vai começar haver uma conscientização de que o Pampa é algo muito maior, que vai além dos eucaliptos, que vai além de mineração de carvão ou das plantações de arroz.

RESUMO

A economia do RS, historicamente, evoluiu, tendo por base a pecuária, agricultura, a exploração florestal, em especial da araucária, e seus subprodutos; as principais culturas são arroz, soja, milho, fumo, trigo e frutas. Com a expansão da economia, em especial do mercado de exportação, ocorreu também uma expansão da fronteira agrícola, avançando em muitas regiões sobre locais de grande fragilidade ambiental, colocando em risco a biodiversidade e a sobrevivência das populações locais. Essa situação é, claramente, devida à falta de valorização dos recursos naturais, em geral, e da biodiversidade, em particular.

Outras atividades como a exploração de recursos minerais, a produção de energia elétrica, o extrativismo predatório, a introdução de espécies exóticas invasoras, a ocupação de áreas de preservação permanente e o processo de urbanização acelerado são ameaças graves às condições de sobrevivência dos recursos bióticos do Estado.

Palavras-chave: economia, biodiversidade, recursos naturais.
Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Scherer Duarte y Mauch Palmeira: "O impacto da crise econômica americana no bioma pampa" en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 105, 2008. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/



Mapa de Biomas e de Vegetação
IBGE lança o Mapa de Biomas do Brasil e o Mapa de Vegetação do Brasil, em comemoração ao Dia Mundial da Biodiversidade

O Mapa de Biomas do Brasil, resultado de uma parceria entre o IBGE e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), mostra que o Bioma Amazônia e o Bioma Pantanal ocupam juntos mais de metade do território brasileiro. O Mapa de Vegetação do Brasil reconstitui com mais detalhes a provável situação da vegetação na época do descobrimento. Em tamanho mural e escala de um para cinco milhões, os dois mapas são lançados em comemoração ao Dia Mundial da Biodiversidade (22 de maio).

O bioma continental brasileiro de maior extensão, a Amazônia, e o de menor extensão, o Pantanal, ocupam juntos mais de metade do Brasil: o Bioma Amazônia, com 49,29%, e o Bioma Pantanal, com 1,76% do território brasileiro. Mapeados pela primeira vez, os seis biomas continentais brasileiros - Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa - são apresentados no Mapa de Biomas do Brasil (1: 5.000.000), resultado da parceria entre o IBGE e o Ministério do Meio Ambiente (MMA). Assim como o Mapa de Vegetação do Brasil (1: 5.000.000) 2004, que lhe serviu de referência, o Mapa de Biomas do Brasil se junta à série "Mapas Murais" do IBGE, que inclui outros temas como relevo, solos, geologia, unidades de conservação federais, fauna e flora.

Além de representar cartograficamente a abrangência dos seis biomas continentais brasileiros, o Mapa de Biomas do Brasil 1: 5.000.000 (primeira aproximação) traz a área aproximada que ocupa cada um desses conjuntos, sua descrição e a proporção de sua presença nas 27 unidades da federação. Também estão indicadas no mapa as áreas alteradas pela presença humana (antropismo).

Complementares, o Mapa de Biomas do Brasil e o Mapa de Vegetação do Brasil têm grande utilidade para a análise de cenários e tendências dos diferentes biomas. Servem como referência para o estabelecimento de políticas públicas diferenciadas e para o acompanhamento, pela sociedade, das ações implementadas. Bioma é conceituado no mapa como um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria.

Vegetação brasileira tem formações florestais e campestres

O Mapa de Vegetação do Brasil reconstitui a situação da vegetação no território brasileiro na época do descobrimento pelos portugueses e mostra que no país ocorrem dois grandes conjuntos vegetacionais: um florestal, que ocupa mais de 60% do território nacional, e outro campestre. As formações florestais são constituídas pelas florestas ombrófilas (em que não falta umidade durante o ano) e estacionais (em que falta umidade num período do ano) situadas tanto na região amazônica quanto nas áreas extra-amazônicas, mais precisamente na Mata Atlântica. Na Amazônia, predominam as florestas ombrófilas densas e abertas, com árvores de médio e grande porte, com ocorrência de cipós, bromélias e orquídeas. As florestas extra-amazônicas coincidem com as formações florestais que compõem a Mata Atlântica, onde predominam as florestas estacionais semideciduais (em que 20 a 50 % das árvores perdem as folhas no período seco do ano), e as florestas ombrófilas densas e mistas (com araucária). Em ambos os conjuntos florestais ocorrem, em menor proporção, as florestas estacionais deciduais (em que mais de 50% das árvores perdem folhas no período seco).

As formações campestres são constituídas pelas tipologias de vegetação abertas, mapeadas como: savana, correspondente ao Cerrado que predomina no Brasil central, ocorrendo também em pequenas áreas em outras regiões do país, inclusive na Amazônia; savana estépica que inclui a caatinga nordestina, os campos de Roraima, o Pantanal mato-grossense e uma pequena ocorrência no extremo oeste do Rio Grande do Sul; estepe que corresponde aos campos, do planalto e da campanha, do extremo sul do Brasil; e a campinarana, um tipo de vegetação decorrente da falta de nutrientes minerais no solo e que ocorre na Amazônia, na bacia do rio Negro.

O mapa traz ainda a indicação das áreas das formações pioneiras, que abrigam a vegetação das restingas, dos manguezais e dos alagados, além das áreas de tensão ecológica, onde ocorrem os contatos entre tipos de vegetação, e os chamados refúgios vegetacionais onde a vegetação em geral é constituída por comunidades relíquias.

Estão assinaladas no mapa as formações remanescentes, que correspondem à vegetação que permanece preservada ou pouco alterada, e os antropismos, ou seja, as áreas afetadas pelas atividades humanas. Estas, mapeadas como vegetação secundária e atividades agrárias, estão representadas no mapa por um pontilhado que recobre as cores que representam os tipos de vegetação original.

Em sua terceira versão (as anteriores foram editadas em 1988 e 1993), o Mapa de Vegetação do Brasil traz aprimoramentos permitidos pelo avanço da tecnologia de mapeamento e geoprocessamento, bem como da pesquisa científica. As inovações contribuem também para a qualidade do Mapa de Biomas do Brasil, que tem ao fundo as linhas e letras do Mapa de Vegetação do Brasil, que lhe serviu como referência técnico-operacional.

Mapa de Biomas é resultado da parceria entre IBGE e MMA, iniciada em 2003

O Mapa de Biomas do Brasil é resultado do termo de cooperação assinado entre o IBGE e o Ministério do Meio Ambiente em agosto de 2003. Com sua publicação, o governo brasileiro e a sociedade passam a contar com um valioso instrumento na formulação de políticas públicas específicas para os diferentes biomas brasileiros, denominados: Bioma Amazônia, Bioma Mata Atlântica, Bioma Caatinga, Bioma Cerrado, Bioma Pantanal e Bioma Pampa.

Os nomes adotados foram os mais usuais e populares, em geral associados ao tipo de vegetação predominante, ou ao relevo, como no caso do Bioma Pantanal, que constitui a maior superfície inundável interiorana do mundo. O Bioma Amazônia é definido pela unidade de clima, fisionomia florestal e localização geográfica. O Bioma Mata Atlântica, que ocupa toda a faixa continental atlântica leste brasileira e se estende para o interior no Sudeste e Sul do País, é definido pela vegetação florestal predominante e relevo diversificado. O Pampa, restrito ao Rio Grande do Sul, se define por um conjunto de vegetação de campo em relevo de planície. A vegetação predominante dá nome ao Cerrado, segundo bioma do Brasil em extensão, que se estende desde o litoral maranhense até o Centro-Oeste e ao Bioma Caatinga, típico do clima semi-árido do sertão nordestino.

Desde o próprio entendimento de bioma até as possíveis correlações existentes entre os biomas brasileiros e os conceitos que definem o Mapa de Vegetação do Brasil, base técnico-operacional do primeiro, houve ampla discussão sobre o marco conceitual orientador do mapeamento dos biomas. Além de técnicos e representantes regionais do IBGE, participaram da discussão futuros usuários, tanto do Ministério do Meio Ambiente quanto da comunidade científica e de organizações da sociedade civil atuantes no campo socioambiental. No segundo semestre de 2003 o IBGE sediou dois seminários com a finalidade de discutir o Mapa de Biomas do Brasil.

No Mapa de Biomas do Brasil, elaborado em meio digital, foram considerados exclusivamente os seis biomas continentais do território brasileiro. O mapa mural apresenta os biomas em cores dominantes, tendo ao fundo, além da representação dos rios e estradas principais, os polígonos e letras-símbolo das regiões fitoecológicas (conforme o Mapa de Vegetação do Brasil) que compõem o bioma, com suas formações remanescentes. O mapa inclui uma nota técnica explicativa sobre os conceitos e a terminologia utilizada, além de dois quadros: um com a legenda do mapa indicando a área aproximada de cada bioma, e outro com o percentual de área ocupada pelos biomas nos estados e no Distrito Federal.

Amazônia e Mata Atlântica ocupam 100% de oito estados brasileiros

Maior reserva de diversidade biológica do mundo, a Amazônia é também o maior bioma brasileiro em extensão e ocupa quase metade do território nacional (49,29%). A bacia amazônica ocupa 2/5 da América do Sul e 5% da superfície terrestre. Sua área, de aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados, abriga a maior rede hidrográfica do planeta, que escoa cerca de 1/5 do volume de água doce do mundo. Sessenta por cento da bacia amazônica se encontra em território brasileiro, onde o Bioma Amazônia ocupa a totalidade de cinco unidades da federação (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima), grande parte de Rondônia (98,8%), mais da metade de Mato Grosso (54%), além de parte de Maranhão (34%) e Tocantins (9%). O Bioma Mata Atlântica ocupa inteiramente três estados - Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina - e 98% do Paraná, além de porções de outras 11 unidades da federação.

O Bioma Cerrado ocupa a totalidade do Distrito Federal, mais da metade dos estados de Goiás (97%), Maranhão (65%), Mato Grosso do Sul (61%), Minas Gerais (57%) e Tocantins (91%), além de porções de outros seis estados. O Bioma Caatinga se estende pela totalidade do estado do Ceará (100%) e mais de metade da Bahia (54%), da Paraíba (92%), de Pernambuco (83%), do Piauí (63%) e do Rio Grande do Norte (95%), quase metade de Alagoas (48%) e Sergipe (49%), além de pequenas porções de Minas Gerais (2%) e do Maranhão (1%). O Bioma Pantanal está presente em dois estados: ocupa 25% do Mato Grosso do Sul e 7% do Mato Grosso. O Bioma Pampa se restringe ao Rio Grande do Sul e ocupa 63% do território do estado.

ALGUNS VIDEOS SOBRE OS PAMPAS:














A VERDADEIRA TORCIDA DOS PAMPAS: É A DO GRÊMIO É CLARO.




Herdeiro da Pampa Pobre
Engenheiros do Hawaii
Composição: Gaucho da Fronteira - Vaine Dard

Mas que pampa é essa que eu recebo agora
Com a missão de cultivar raízes
Se dessa pampa que me fala a história
Não me deixaram nem sequer matizes?

Passam às mãos da minha geração
Heranças feitas de fortunas rotas
Campos desertos que não geram pão
Onde a ganância anda de rédeas soltas

Se for preciso, eu volto a ser caudilho
Por essa pampa que ficou pra trás
Porque eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Mas que pampa é essa que eu recebo agora
Com a missão de cultivar raízes
Se dessa pampa que me fala a história
Não me deixaram nem sequer matizes?

Passam às mãos da minha geração
Heranças feitas de fortunas rotas
Campos desertos que não geram pão
Onde a ganância anda de rédeas soltas

Se for preciso, eu volto a ser caudilho
Por essa pampa que ficou pra trás
Porque eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Herdei um campo onde o patrão é rei
Tendo poderes sobre o pão e as águas
Onde esquecido vive o peão sem leis
De pés descalços cabresteando mágoas

O que hoje herdo da minha grei chirua
É um desafio que a minha idade afronta
Pois me deixaram com a guaiaca nua
Pra pagar uma porção de contas

Se for preciso, eu volto a ser caudilho
Por essa pampa que ficou pra trás
Porque eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai


6 de jun. de 2010

A formação da República

A República Federativa do Brasil é a mãe pátria de cerca de 190.000.000 habitantes, porém, para termos este título, esse nome e Brasão, foram necessários anos de lutas, guerras, conflitos, negociações, que levou 489 anos. Cerca de 120 anos após a proclamação da República, vivemos um país em desenvolvimento, e em algumas regiões ainda persiste um total desprezo das autoridades com o povo. É possível verificar que a herança colonial permanece bem viva em nosso país, que a terra ainda é propriedade de uma minoria, que existe uma luta de classe entre trabalhadores do campo e da cidade apenas no campo ideológico, pois na prática é inviável qualquer espécie de luta, assim como foi há 100 ou 150 anos atrás.

O objetivo deste trabalho é oferecer ao leitor, uma noção de como foi construída a nossa República, desde o surgimento do Brasil até os dias atuais, das fases em que o Brasil passou desde a colônia, até a construção de uma idéia de “República”, que significa “Coisa Pública”. Ainda assim, quando analisamos jornais, revistas,na mídia televisiva, a impressão que prevalece é a de que o Brasil não é tão público, parece que as terras, as idéias e o poder são propriedades de um grupo que impõe ao restante certas regras e restrições como forma de controle.

Quando em pleno século XXI, vemos que existem latifúndios, pessoas em regime de escravidão, prostituição infantil, e outras espécies de mazelas, muitas vezes organizados por políticos e outros agentes públicos, ou favorecido por estes, que deveriam fazer da República um lugar de bem-estar, quando na verdade visam apenas interesses próprios.

Este trabalho busca analisar que, apesar de na história do Brasil, eventos tais como a Colonização, a Independência, a Proclamação da República, foram acontecimentos que deram “certo”, porém, patrocinados por grupos que visavam o bem próprio em detrimento do coletivo. Não houve participação da massa, com exceção de algumas rebeliões infrutíferas e ainda hoje o povo não consegue ser protagonista dos principais fatos e acontecimentos do país.

Palavras- chave: Brasil, República, Política.

Introdução

O objetivo principal deste trabalho, é trazer ao leitor uma idéia de como foi construída a idéia de um país chamado Brasil, que passou por longos processos antes de consolidar-se como República e mesmo depois desta valorosa conquista ainda passamos por situações conflitantes entre populismo e ditaduras, muitas vezes guiadas por homens que julgam fazer o melhor pelo país.

A análise crítica de documentos prova que o Brasil desde o descobrimento vem sendo explorado sem reparação de danos, e que em pleno século XXI o Brasil não conseguiu se desvencilhar de figuras paternalistas, populistas sem considerar o princípio democrático para divisão de riquezas, de renda, de terra, mostrando que ao longo de mais de 500 anos o país tem forte herança colonial e que a Independência e a República foram dois processos sem ruptura político-social com o sistema vigente, que não tiveram propósitos populares. Observa-se que houve grande participação de Maçons, grandes intelectuais, jornalistas, e uma participação mínima do restante da população.









Brasil, A formação da República
O Princípio

Segundo a Constituição Federal de 1988, o Brasil no século XXI é organizado da seguinte maneira: a República Federativa do Brasil, formada pela União indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituindo Estado Democrático de Direito. A construção de uma identidade nacional, do processo de independência e da formação de uma república, foi difícil, penosa, e até mesmo podemos dizer dolorosa.
A História nacional passa a ser contada a partir de 1500, com a chegada de Pedro Álvares Cabral ao país. Esse é o marco precursor do Brasil, mesmo tendo evidências de termos sido visitados anteriormente por wikings, chineses e por Vicente Pizón, navegador espanhol que posteriormente integrou a primeira armada de Cristóvão Colombo,teria chegado ao Norte do País, ficando a terra descoberta conhecida como “Santa Maria das Constelações”. A versão é de que Pizón teria avistado o Rio Amazonas e pela dimensão do rio ter pensado que se tratava de um mar e ao provar a água, teria pronunciado: “A Água desse mar é doce”, assim denominado: “Mar Dulce”.
Como se pode perceber as evidências sobre a verdadeira origem do Brasil são muitas vezes contestadas, o próprio tratado de Tordesilhas de 1494, que servia para dividir terras descobertas e a descobrir, era um forte indício de que seriam encontradas novas terras, a disputa para definir se a primeira terra a ser avistada foi o cabo de Santo Agostinho (Pernambuco) ou a ponta do Mucuripe (Fortaleza) serve para defender que o Brasil pertencia à Espanha. O certo é que em janeiro de 1500 essas terras, hoje incorporadas ao Brasil, faziam parte da Espanha.

O fato concreto e sem proselitismos patrióticos é que em abril de 1500, Pedro Álvares Cabral, mesmo sabendo que o Brasil não foi descoberto e sim explorado, pois nativos já habitavam o território, povos que mais tarde seriam chamados de índios pela historiografia. Ao que tudo indica Cabral teria se perdido em alto mar a procura das Índias e, ao avistar terra firme, achou que chegara as Índias nomeando aos que o recebiam de índios. O Rei de Portugal poderia ter enviado outros homens para mercantilizar com as Índias e, por que enviar Cabral que era um especialista em alto mar? Cabral não seria recebido nas Índias como foi recebido no Brasil, esperando cerca de três dias para descer em terra firme, esses fatos servem para demonstrar que já se sabia da existência do Brasil, que diga-se de passagem era o nome do pau-brasil, uma arvore nativa que ao ser partida ao meio tem ao centro cor parecida com brasa, e o diminutivo de brasa, na época, era brasil.

A Colônia

A partir de abril de 1500 o Brasil fazia parte da colônia de Portugal, e comumente neste período havia saques de piratas de várias partes do mundo à terras exploradas, a navios, etc... Assim era necessário que Portugal marcasse território, o governo do Rei D.João III, percebeu que seria mais fácil descentralizar o poder estatal e decidiu dividir as terras, formando capitanias.

Essas capitanias eram hereditárias, ou seja, passadas de geração a geração, na verdade funcionavam como uma concessão de terras que eram doadas pelo Reino português a família de nobres para que povoassem e administrassem a colônia, com o objetivo de conseguir lucro e proteger a terra de invasões. A população no Brasil era de cerca de 70.000 habitantes, o que significa que não ouve sentimento de pátria. Os índios também não tinham sentimento patriótico já que essa organização e modo de pensar não faziam parte do modo de vida deles, eles queriam apenas suas terras sagradas e viver livres de incomodação.

O fato de ser perigoso, caro e não produtiva a colônia fez com que muitos nobres desistissem do negócio, assim o governo de Portugal resolveu criar os governos-gerais, que era um cargo nomeado pelo Rei. Era o cargo mais alto e importante da colônia, assim a capital nesse momento seria Salvador na Bahia. Também foram criadas as câmaras municipais como medida de descentralização administrativa, no intuito de tentar manter o controle de Portugal.

Nesse momento é possível identificar que o objetivo não era apenas de explorar, era também de povoar, mas povoar para lucrar e proteger, assim são criadas as cidades de Recife e Rio de Janeiro. Os jesuítas colaboram com este processo, mesmo se sabendo que o objetivo seria converter índios e servir de certa forma a coroa.

O Pacto Colonial firmou ainda mais o compromisso de enviar portugueses às terras novas, no intuito de iniciar uma cultura agrária, principalmente açúcar. O Brasil foi o maior exportador de açúcar dos séculos XVI e XVII, assim as primeiras povoações não-portuguesas, foram africanas e holandesas. Porém, o pacto deixava bem claro que a Colônia só podia negociar com a Metrópole, e com isso começava a surgir alguns descontentamentos e alguns comerciantes já insatisfeitos com a metrópole, um breve sinal de sentimento nativo, motivado por interesses econômicos.

A metrópole então dependia muito da colônia, e agora com o litoral povoado e protegido, produzindo muito, era hora de desbravar o interior do Brasil. Foram criados os “Bandeirantes”, que eram sertanistas, eram índios aliados aos portugueses, caboclos, e outros homens conhecedores das terras brasileiras. Pode-se falar aqui de conhecimento geográfico da terra, além de astrologia, geologia, podendo assim imaginar o que seria possível encontrar nessas terras despovoadas até então. Aqui já há indícios de formação da identidade, de um conhecimento, mas não autonomia. Também não eram nobres que desbravavam as matas, não eram cultos, e sim gente conhecedora de terras mas sem alto poder aquisitivo, assim como boa parte da civilização brasileira durante toda a sua história.

O objetivo até aqui não é citar apenas fatos como os tratados, ou como a economia e sim respaldar os fatos que geraram o povoamento no Brasil, e a construção de uma identidade, mesmo sendo colônia, para mais tarde quando for citada a República podermos fazer uma avaliação de nacionalidade. É evidente que a partir do momento em que se criam raízes é difícil retornar a situação de origem, os corajosos portugueses que vieram no inicio da colonização, tiveram filhos aqui, comercializavam e trabalhavam, mais cedo ou mais tarde iriam requerer direitos, independência, como realmente veio a acontecer.

A transferência da Corte

A transferência do Corte Portuguesa para o Brasil deu-se no dia 26 de novembro de 1807, com ele viria também todo o Estado Português, toda a administração pública, e aproximadamente 15.000 portugueses, maioria nobres, e serviçais do Reino de Portugal.
O Principal motivo da transferência da corte Portuguesa para o Brasil foi primeiramente o Tratado de Fontainebleau, assinado entre a França e a Espanha que dividiria o Reino de Portugal. O momento era das grandes invasões Napoleonicas, que em 1806 tentou sem sucesso invadir a Inglaterra, decretando assim o bloqueio continental. Portugal não aceitou a condição do bloqueio pelo fato de ser um forte aliado da Inglaterra. Napoleão resolve então invadir Portugal, mas para isso era necessário cruzar o território espanhol para chegar até Lisboa. As tropas de Napoleão chegam ao território Português no dia 30 de novembro de 1807, mas as embarcações que trariam a familia real e a corte portuguesa, já estavam em alto-mar, e viriam desembarcar no Brasil no dia 22 de Janeiro de 1808 na provincia da Bahia.
Dom João , no dia 28 de Janeiro declara a abertura dos Portos às nações amigas, pois até então a economia da colônia era sustentada no monopólio comercial, sendo, como explicado anteriormente, uma forma da Côrte assegurar sua sobrevivência. O fato de D. João ter aberto os Portos foi a primeira sinalização de Independência da Colônia, pois antes da abertura, a econômia era básicamente de subsistência, ou para a sustentação para a o Reino de Portugal. Neste contexto D. João e a Corte partem para o Rio de Janeiro com o intuito de estruturar o poder politico português em terras brasileiras. Em abril de 1808, D. João revogou os decretos que proibiam a instalação de manufaturas na Colônia, isentou de tributos a importação de matérias-primas destinadas à indústria, ofereceu subsídios para as indústrias de lã, de seda e do ferro, incentivando a introdução de novas máquinas. Criou, também, no mesmo ano, a Biblioteca Real, o primeiro Banco do Brasil, a Escola de Marinha e a Imprensa Régia.
Houve a abertura de produções gráficas no Brasil, assim surgiriam às primeiras revistas e jornais, inovando a consciência e mentalidade dos que aqui residiam, mas isso não significava uma liberdade de expressão e imprensa, era apenas o inicio para abastecer a elite letrada da Corte.

A gazeta do Rio de Janeiro - tinha um caráter quase oficial e estava sujeito, como todas as demais publicações, a uma comissão de censura encarregada de examinar os papéis e livros que se mandassem publicar e fiscalizar que nada se imprimisse contra religião, o governo e os bons costumes. 1

A corte portuguesa trouxe consigo a preocupação de criar academias e fabricas, foi criado a partir desse momento um observatório astronômico, fundando a fábrica de pólvora e arsenais, onde anos depois trabalharia lá Joaquim Gonçalves Ledo, e que se tornaria em 1811, a Academia Militar. Este órgão tinha entre as suas funções, a de promover um curso das chamadas ciências exatas (Matemática) e de observação (Física, Química, Mineralogia e História Natural). Essa academia formava oficiais do exército, engenheiros, geógrafos e topógrafos para que administrassem as obras empreitadas pelo governo, como a abertura de estradas, minas, portos, etc.. D. Rodrigo, Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, criou medidas de política e defesa da Colônia estruturada, por que também se preocupava em estabelecer canais de comunicação com todas as regiões.

Os objetivos reais dessas medidas eram principalmente em proteger a colônia de guerras e facilitar a vida econômica, que incluía o trafego através de rios e dos Portos, chegavam ao o Rio de Janeiro mercadorias e gêneros alimentícios tanto do exterior quanto de outras regiões do Brasil. As embarcações que passavam pela Baía da Guanabara traziam hortaliças e pequenos animais. Por terra chegavam animais de grande porte e produtos vindos da região das Minas e de São Paulo.

Essas medidas não seriam permitidas sem a chegada da Corte ao Brasil. Desta forma, pode-se compreender melhor a importância da vinda da Família Real à Colônia. Havia, porém, preconceito e retaliação aos que eram nascidos na colônia em relação aos vindos de Portugal, principalmente na esfera comercial, e nos cargos públicos e nos negócios. Muitos dos novos habitantes eram imigrantes, não apenas portugueses, mas espanhóis, franceses, ingleses, que viriam a formar uma classe média de profissionais e artesãos qualificados.2

Neste mesmo período na Europa Hipólito José da Costa, estava preso, pelas perseguições que sofreria por indicação de Pina Munique pelo fato de ser Maçom. Após fugir da cadeia em 1805, consegue em 1808 chegar a Londres na Inglaterra, onde fundaria o jornal “Correio Braziliense”, pois dificilmente poderia circular no Brasil pelo fato de existir a censura. Este seria o maior jornal de veiculação que retratava a verdadeira realidade brasileira, onde defendia já a partir daí a abolição da escravatura, transferência da capital para o interior do país, e até mesmo de forma sutil a Independência do Brasil. Hipólito entrou para o rol dos brasileiros célebres reconhecidos mundialmente e, hoje, é o “Patriarca da Imprensa Brasileira”.

Mas não apenas Hipólito, como outros maçons brasileiros já preparavam terreno para entrar definitivamente para História do Brasil. Como José Bonifácio, que neste momento estudava em Portugal, e poderia ter vindo com a Família real Portuguesa para o Brasil, mas resolveu pegar em armas, contra a invasão Napoleônica. Anos mais tarde se tornaria o Primeiro Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil. Francisco Martins de Andrada e Silva, Antonio Carlos de Andrada e Silva (Irmãos Andradas), Joaquim Gonçalves Ledo que seria o primeiro Grande Vigilante do Grande Oriente do Brasil e um dos personagens mais importantes do processo emancipatório. A Maçonaria serviria de terreno fértil para germinar a mentalidade desses homens que tanto contribuíram para a Independência brasileira.

Quando em 1808 D. João, chegou ao Brasil já existiam Lojas Maçônicas, Maçons participavam da vida ativa do que agora seria chamada metrópole, pois como fim do pacto colonial o Brasil deixaria a condição de Colônia e passaria a ser a sede da corte portuguesa. A chegada da família portuguesa trouxe inúmeros benefícios para os colonos, inclusive uma nova mentalidade, quem vivia no país, quem comerciava, e quem principalmente sabia ler, viu que se o Brasil tivesse um pouco mais de incentivos econômicos, e estrutura se tornaria uma potência. Nesse momento a colônia passaria a ser de exploração e povoamento, o tratamento da nobreza européia com os colonos era aparente, o que causava indignação aos aqui residentes. Essa mentalidade se aproximou da Maçonaria que viu com bons olhos o fato de que o Brasil poderia ser independente, e que poderia dar uma enorme contribuição. As Lojas iam se expandindo junto com o crescimento do país, Lojas regularizadas dentro de uma metrópole e não uma colônia, trabalhando discretamente para tornar uma pátria livre de Portugal.

A independência do Brasil

A independência do Brasil partiu não somente da vontade do Imperador Dom Pedro I, ou da Maçonaria, apesar da incontestável participação de ambos neste marco histórico, partiu de uma vontade, comercial, econômica, de um jogo de interesses que beneficiaria todos que estavam envolvidos nesse processo, seja ideologicamente,seja por outros interesses.
No processo de emancipação brasileira estavam evolvidos, padres, militares, advogados, empresários, traficantes, políticos, e alguns populares que se mostravam indignados com a centralização política do Reino de Portugal, agora com Sede novamente em Lisboa. Motivados pelo retorno da Corte à Portugal, insurgiram diversas revoltas, como ocorreu na Revolução Pernambucana de 1817, na Conjuração Baiana, e na Inconfidência Mineira. Estes acontecimentos não denotam a existência de uma identidade brasileira, separada de Portugal, mas que não queriam mais fazer parte de um sistema que não trazia benefícios a estes.
Nada mudou após o 07 de setembro de 1822,ou pelo menos até 1889, os políticos, os fazendeiros e comerciantes, faziam política da mesma forma que antes, mas agora havia a centralização de capital e política, mesmo que de maneira figurativa, mas não dependíamos mais de Portugal.
Antes destes acontecimentos três fatos foram fundamentais para a Independência: a elevação do Brasil através de D.João ao Reino Unido de Brasil Portugal e Algarves - há críticos que defendem que a Independência foi feita por D. João - outro fato foi o “Dia do Fico” no qual o príncipe D.Pedro I resolve ficar no Brasil, desobedecendo as ordens de seu pai, e o próprio grito do Ipiranga Vale lembrar que D. Pedro utilizou até dezembro de 1822 o mesmo brasão monarca que havia sido criado pelo seu pai, o que mostrava que apesar do Brasil ser reconhecido internacionalmente, D.Pedro ainda não havia feito um ruptura total com a Coroa Portuguesa. Mesmo depois de independente o país, a nova bandeira nacional, seria uma homenagem as casas dos Habsburgo e dos Bragança,muito parecida com a de hoje, então houve independência total? Houve desligamento com o antigo regime? Basta lembrar da frase de D.João antes de partir para Portugal: “Pedro meu filho, se o Brasil se separar antes que seja para ti que há de me respeitar do que para, algum desses aventureiros...” o que realmente foi feito.

O Brasil Império

O Brasil emancipado de Portugal poderia agora desenvolver-se, tal como os Estados Unidos da América após sua independência, mas resolveu permanecer como antes, permanecendo herdeiro do trono português, que governava, mas não comandava. Esta situação permaneceu até a morte do Rei de Portugal D.João VI. Após a partida de D.Pedro I para Portugal para defender o trono português, o Brasil viveu o período de regência, que serviu mais uma vez para mostrar quem mandaria no país ou quem tinha o direito de comandar, os regentes eram militares e aristocratas, assim como Nicolau dos Santos Vergueiro, Carneiro de Campos e Lima e Silva. Esse foi o modelo que o país seguiria até as vésperas da proclamação da República.
Desde o “Descobrimento” até o presente momento é possível notar que não houve ruptura na estrutura político-administrativa do país, nem das classes dominantes, não é possível nem se quer avaliar lutas de classes, mesmo com todos os atritos, rebeliões, revoltas que para história são fatos isolados, nem mais, nem menos importantes, mas que não configuram a necessidade de ruptura ou criação de um sentimento nacional generalizado, e sim motivações de interesses pessoais ou de um grupo especifico, como militares, fazendeiros, ou comerciantes, muitos deles endividados com a Coroa.

A partir do Segundo Império, o país passa a ter mais noção de “brasilidade”, e percebe que há um desfacelamento administrativo, que é possível lutar por interesses, ou que há espaço para encontrar alternativas para um Estado que não tem nenhuma, que continua com velhas estruturas, com idéias que não acompanham a ótica, econômica, política e administrativa de outros países da América, já quase toda independente.

O período que a história nomeou como “Segundo Reinado”, que foi a sucessão do trono de D.Pedro I para seu filho D.Pedro II de apenas 5 anos. D.Pedro I foi para Portugal lutar contra seu próprio irmão que assumira o trono Português, assim mostra que D.Pedro I tinha a intenção de manter viva a Dinastia Real dos Bragança, ou seja não havia um sentimento nacional de fato por quem deveria governar o Brasil, e o governo fica na mão de uma criança que é tutelada por pessoas que defenderiam seus reais interesses.

O Segundo reinado apesar de todos os problemas, serviu para romper alguns paradigmas, como uma nova política externa, novo regime de governo (no final), idéias liberais mais maduras e guerras que firmaram um sentimento nacional. A primeira delas foi a Cabanagem que foi um levante popular inflamado por fazendeiros, que estavam descontentes pela não participação ativa nas decisões da província, ou seja não foi um levante popular por independência e sim de defesa de interesses.
A segunda delas foi a Sabinada, que consistiu num movimento de homens letrados descontentes com a falta de autonomia da província e com os desmandos da administração regencial. A classe média de Salvador, apoiada por uma parcela do Exercito, tomou a cidade e proclamou a Republica Baiana em 1837. Os rebeldes eram liderados pelo médico Francisco Sabino, daí o nome Sabinada. Sem respaldo popular, o movimento se enfraqueceu. No ano seguinte, as tropas oficiais, apoiadas pelos latifundiários cercaram e derrotaram os revoltosos.

Uma importante revolta também ocorrida no mesmo período da Sabinada foi a Balaiada. A revolta foi motivada pela crise do algodão e aumento de impostos, entre outros motivos, liderada por um líder quilombo, um vaqueiro e um artesão, mas com a participação de comerciantes e financiadas por barões do algodão, que a história faz questão de omiti-los. Durou três anos e os rebeldes chegaram a ocupar a segunda maior cidade do Maranhão chamada de Caxias, ou seja é difícil de acreditar que rebeldes sem instrução militar, sem formação segurariam 3 anos uma rebelião, sem financiamento. Mesmo o poder Imperial vencendo a revolta, trouxe desgastes físicos, bélicos, financeiro e estrutural ao Governo.

E por fim a mais importante delas, que foi a revolta Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul, que foi uma resposta a alto-taxação do charque, sendo usada por alguns rebeldes para forçar a separação e autonomia da província, fundando a República Rio Grandense. Entre mortos e feridos venceu, mais esta batalha, o poder imperial. O Império conseguiu vencer todas essas batalhas, pois além de ter mais contingente, tinha financiamento. É possível notar que ainda nos dias de hoje a bandeira do Rio Grande do Sul, possui a frase: República do Rio Grande do Sul, ou seja, passa a idéia de outro país dentro do Brasil, persistindo um clima de separatismo

Não menos importante, a Guerra do Paraguai demarcou a situação brasileira no contexto internacional. O Brasil estava já recuperando sua economia, suas relações internacionais, os conflitos internos estavam bem contidos. Evidentemente o objetivo deste trabalho não é descrever os acontecimentos e sim os fatos que propuseram ao Brasil, um sentimento Nacional e a busca de uma autonomia em relação a velhas oligarquias em busca de ruptura. Sendo assim descrever a Guerra do Paraguai significa dizer que agora existia uma “unidade” Nacional, que existiam brasileiros lutando por seu país e defendendo seu território. Apesar do massacre brasileiro, cruel e desnecessário, mostrou ao mundo e a América que nossa economia era forte, que as nossas relações internacionais eram sólidas, e que tínhamos um povo guerreiro, capaz de dar a vida por seu país, mesmo sabendo que a Guerra do Paraguai, como tantas outras guerras serviria aos interesses de alguns.
A Proclamação da República

Para iniciarmos este tema temos que discorrer acerca de três fatos que impulsionaram a Proclamação da República: a “Questão Religiosa”, a “Questão Militar” e a “Abolição da Escravatura”, todos estes fatos ocorridos na segunda metade do século XIX, e próximo ao fim do governo Imperial. E possível destacar a participação dos partidos de maior expressão existentes na época: o Partido Liberal e o Partido Conservador e o partido republicano paulista.

A imprensa era outro fator positivo, quando não afetada pela censura. O Jornal a “A República”, de 1870, órgão de circulação do partido republicano, era composto por grandes nomes da época como Saldanha Marinho, Quintino Bocaiúva. Lançou mais precisamente no dia 03 de Dezembro de 1870 um “manifesto Republicano” que destacava a vocação federalista e americana no Brasil, criticava duramente erros que cometidos pelo Regime Imperial, mas não tratava acerca da escravidão, com receio de causar problemas com a elite agrária. Nota-se, mais uma vez, que o direcionamento fora motivado por interesses de uma minoria.

O Brasil não passou por processos revolucionários como Inglaterra, Estados-Unidos, França, que haviam elites oriundas do parlamento, aqui se passou por um processo burocrático, que foi oriundo da nação portuguesa, que era estadista e conservadora, que tinha a Igreja com poder paralelo ao Estatal, e o Exército como mão-de-ferro, para controlar o país.

A Questão Religiosa foi um desentendimento entre Igreja, Estado e Maçonaria, após a publicação da Lei do Ventre-Livre, aprovada pelo gabinete do Maçom Barão do Rio Branco, que considerava livre todos os escravos nascidos a partir daquela data (1872). O problema iniciou-se com um discurso do Padre Almeida Martins aprovando a Lei do Ventre-Livre, que era uma lei para o período bastante moderna, evidentemente que não agradou nem um pouco as elites agrárias do país, e a Igreja (Alto Clero e alguns sacerdotes) sempre próxima do poder agrário jamais concordaria com um discurso aprovando tal iniciativa, além de que a Igreja proibia que seus membros pertencessem a Maçonaria. Por desacato às ordens do Bispo do Rio de Janeiro D. Pedro de Maria Lacerda, foram suspensos os trabalhos do padre, e foi ameaçados de suspensão todos que participassem da Ordem. Posteriormente, D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo de Olinda, e D. Antônio de Macedo Costa, bispo do Pará também fariam o mesmo]Suspensa as Irmandades, recorreram ao Imperador pedindo a revogação da proibição, no que foram atendidos. D.Pedro II sempre teve boas relações com a Maçonaria mesmo não sendo Maçom, pois sabia a importância da Ordem para a sustentação do governo.

O Decreto declarava sem efeitos os atos dos Bispos, pois a constituição das Ordens Terceiras e Irmandades do Brasil eram de exclusiva competência do poder civil e a atitude dos bispos constituía uma usurpação da jurisdição do poder. Os bispos reagiram. D. Vital declarou que o beneplácito imperial não passava de uma aberração, pois o recurso contra as decisões dos bispos configurava-se absurdo e herético. D. Macedo Costa foi mais rigoroso: reconhecer no poder civil autoridade para dirigir as funções religiosas equivalia a uma apostasia.

Depois de travadas essas discussões, os Bispos foram presos e exilados, e os padres retomaram suas atividades, mas a Questão serviu como desgaste para o Poder Imperial que se viu fragilizado diante da Igreja. O levante teve repercussão internacional, o que não era bom, a Questão Religiosa foi um desgaste político, religioso, ideológico, que indicava o fim do império e o inicio de uma república que estava por vir.

Não muito diferente da ‘“Questão Religiosa”, foi marcante para a historiografia nacional a “Questão Militar”, um crise estatal que sufocava o poder imperial prestes a ruir. Os quadros militares, de altas patentes ou oficialato, eram privativos de pessoas oriundas da elite brasileira, mas que a burocracia imperial fez com que cada vez menos as elites se interessassem pela vida militar, devido demora de promoções, salários baixos, péssimas condições de trabalho. Assim, os cargos militares cada vez mais deixavam de possuir “nobres” em seus quadros e passavam a abrir suas carreiras para filhos de militares mais antigos. Após a Guerra do Paraguai o sentimento nacional começava a surgir dentro das instituições militares, que estavam passando a zelar mais pelo militarismo e menos pela Instituição Imperial.

No Inicio da década de 1880, foi sugerida a criação de um Montepio aos militares, como objetivo de melhorar suas condições de vida. O Montepio foi sugerido pelo Visconde de Paranaguá, na verdade não foi uma sugestão, seria uma obrigação. O então Tenente-Coronel, Antonio de Sena Madureira, se opôs a idéia, sendo punido por esta atitude. No ano seguinte 1884, Sena Madureira foi novamente punido, pois convidara o abolicionista Francisco José Nascimento, a visitar a escola de Tiro do Rio de Janeiro. Após homenagear José Nascimento, Madureira foi punido e transferido para o Rio Grande do Sul.

Após a transferência de Sena Madureira, o então ministro da guerra, Alfredo Chaves decidiu proibir qualquer veiculação militar com a imprensa. Sena Madureira encontrou no Rio Grande do Sul, o Marechal Deodoro da Fonseca, que se recusou a cumprir a proibição de veiculação militar com a imprensa, sendo esta ordem revogada meses mais tarde pela corte, o que não deixou de gerar um conflito desgastante.
Outros fatos contribuíam para o enfraquecimento do governo, como o do Coronel Cunha Matos, que denunciou a corrupção do comando militar do Piauí, e a denúncia feita por Sena Madureira ao Jornal “A federação”, dirigido pelo gaúcho Júlio de Castilhos, do descaso com o Exército brasileiro pelo Poder Imperial. A Escola Militar do Rio de Janeiro lançou um manifesto através de seus alunos apoiando as iniciativas de Cunha Matos e Sena Madureira, que foram desligados do Exercito, mas D.Pedro II resolve revogar o desligamento por saber da forte influência dos dois no meio militar, e que desligados do exército teriam mais liberdade para organizar uma possível conspiração.

Foi criado o Clube Militar, presidido por Deodoro da Fonseca, que solicitou ao Ministro da Guerra que desobrigasse os militares a caçarem os escravos fugitivos, o que causou mais desavenças entre militares, Poder Imperial e elites agrárias.
Esse desgaste estatal serviu para se perceber que apesar de não haver ainda ruptura, pelo menos do âmbito militar já se havia um sentimento nacional, uma exigência de respeito, e que os militares são a mostra do sentimento pátrio em qualquer nação do mundo e que merecem todo respeito e reconhecimento, além de deter grande poder. Desta forma a “A questão militar” deixou o Brasil a um passo da República.

A Abolição da escravatura foi o “apagar das luzes” do governo Imperial, já desfragmentado, já em crise, e que ainda por cima sofria forte pressão da Inglaterra para que fosse proclamada, mesmo com a proibição do tráfico negreiro de 1850, com a Lei do Ventre-Livre de 1871 e com a lei Saraiva de Cotegipe ou dos Sexagenários de 1885. A abolição era uma causa defendida por alguns clérigos, por jornalistas, políticos e muitos Maçons entre tantas personalidades que foram fundamentais no processo. Evidentemente que havia uma boa parte do parlamento contra a abolição, tendo em vista que o Brasil tinha sua base de sustentação econômica voltada para a agricultura.

Ao perceber que já não havia mais o que fazer e visto que a proclamação da República iria ocorrer, logo foi levantada a idéia de indenização a todos os senhores de terras, engenhos e latifúndios, mas a Coroa não dispunha de recursos para suprir tal indenização. Percebendo que o Estado não indenizaria esses senhores, eles resolvem então aderir ao Republicanismo e a oposição a Coroa, sob forte influência de abolicionistas e muitos deles Maçons como Luís Gama, Joaquim Nabuco, José Antônio Marinho, Souza Dantas, Ruy Barbosa, entre tantos homens de Luz que trabalharam na emancipação definitiva dos escravos. Aproveitaram a viagem do Imperador D. Pedro II e forçaram de maneira sutil a assinatura da Lei Áurea.

No Dia 13 de Maio de 1888 data escolhida pela princesa Isabel em homenagem a data de nascimento do seu Bisavô D.João VI, o Brasil tornava livres seus escravos, é um romance histórico todo o enredo, mas os problemas ainda não haviam sido sanados, não houve uma política de reparação de danos nem a escravos nem a Senhores de escravos, o que agravou a crise política e social do Império. Os negros se viam perdidos e perambulando pelas cidades e pelos campos, não houve uma política de reforma agrária. Há uma possibilidade gigantesca de que se tivesse sido feita reforma agrária neste período as diferenças sociais do Brasil seriam menores. A Coroa havia perdido um pilar muito importante na sustentação de seu governo que eram as elites agrárias e senhores de escravos, O fim do tráfico negreiro enfraqueceria a economia e a Coroa deveria criar alternativas para sair da crise, o que não conseguiu fazer.
Em todo esse processo mais uma vez, é possível perceber que a mudança nas estruturas políticas e sociais foi promovida por uma elite, sem participação popular.

A proclamação da República foi um golpe Militar de um Marechal monarquista, Maçom e revolucionário para época, sob forte pressão intelectual, Deodoro da Fonseca, resolve então proclamar a República, e nomear um novo conselho de ministros. Todos os dezesseis ministros eram maçons. Permanece a história de que os primeiros despachos do Marechal foram assinados dentro do Palácio do Lavradio, no Rio de Janeiro, na época Sede do Grande Oriente do Brasil, porém não há documentação comprobatória.

Brasil a Construção de uma identidade Republicana

Para a maior parte da população não houve diferenças entre o Regime Imperial e a República, afinal as oligarquias, as elites brasileiras sempre foram as protagonistas dos processos políticos e sociais do país. A maior parte da população permanecia analfabeta, sem acesso à informação, reclusa ao campo. Este sentimento de que apenas as elites comandavam os rumos da nação permaneceu pouco alterado por longos anos, nos períodos da República Velha, onde havia a política do Café com Leite, no golpe de Getúlio Vargas, durante o governo de JK, com seu populismo e durante o Regime Militar. A reabertura para a democracia, também é mera especulação, embora todos soubessem, que Tancredo Neves não viria para libertar seu povo, como se fazia acreditar, e que seu concorrente Paulo Maluf era um antigo afilhado da elite econômica brasileira, apoiado pelos militares. Após a morte de Tancredo, antes da posse, assumiu a Presidência José Ribamar de Araújo Costa, ou José Sarney, filho de uma família tradicional do norte do país, entre o Maranhão e o Pará, herdeiro do coronelismo remanescente.

Na primeira eleição para Presidente, entre 22 candidatos que defendiam os mais diferentes interesses, ficaram dois candidatos antagônicos, Fernando Collor que tinha “nascido com aquilo roxo”, ou seja nasceu das elites para governar para elites, e “caçar marajás”, e Luis Inácio Lula da Silva, que de origem pobre, sem formação universitária, representava uma vontade esquerdista e surgia como opção para um país recém saído de uma ditadura e como representante de uma América já tão desfragmentada com ditaduras e pobrezas, mas que não agradava empresários e a burguesia brasileira. No segundo turno era evidente que não venceria Lula, saiu vitorioso Fernando Collor.

O Governo Collor agradou gregos e troianos com uma política externa acentuada, abertura econômica, modernização do serviço público, tudo muito bom, mas assim como D.João VI, D.Pedro II, Vargas, JK, Collor menosprezou o Congresso, acreditou poder governar através do poder executivo, assim como fez D.Pedro I com o Poder Moderador, agredindo políticos vindos do regime militar, de antigas oligarquias, ou financiados por estes, não tardou muito para que fosse desfeito seu governo, e por uma ilusão que ficará marcada na memória brasileira, seu Impecheament foi aprovado, houveram os “ cara-pintadas”, CNBB, CUT, dentre outras organizações que forçaram alguma atitude por parte do parlamento, o que foi feito.

Após a cassação do presidente Collor, que foi ilegítima ( sem pretender defendê-lo), pois o mesmo havia renunciado ao cargo, não podendo ser cassado pelos problemas de seu governo. Assume seu vice Itamar Franco, sem expressão, pode fazer um governo modesto e sem muitas complicações, consegue criar o plano Real, dando poderes a eleição de Fernando Henrique Cardoso, e também a sua reeleição, permanecendo como forte aliado o congresso, a política econômica, e Neoliberalismo, dando maior força ao empresariado, com interferência mínima do Estado na economia.
Ao fim da era FHC, ascenderia ao poder o ex-metalúrgico LULA, que disputaria quatro eleições à presidente. Mais maduro, menos radical, Lula consegue eleger-se mantendo a política econômica de FHC, a dando mais ênfase a política social. Dizer que o povo votou em Lula porque acreditava que ele era um homem do povo, é uma metáfora populista, pois dificilmente a mentalidade do eleitorado brasileiro mudaria em menos de 20 anos, o que não ocorreu em 500, a eleição de Lula, foi o encerramento de um ciclo político, após a elite chegar ao poder na abertura política com Collor, com a eleição dos sociais democratas ( PSDB), era a hora da “esquerda” mesmo camuflada chegar ao poder, ainda que para isso tivesse que contar com velhos inimigos para garantir a governabilidade, Paulo Maluf, José Sarney, a filha de Sarney Roseana, Renan Calheiros, o próprio ex-presidente Collor, e até mesmo ouvir conselhos de Antonio Carlos Magalhães e Delfim Neto, ou seja a ruptura ainda não veio, estamos a mercê de pessoas engajadas e comprometidas com seus próprios interesses, e o povo ainda espera a sua vez de agir como protagonista das grandes transformações sociais.
O que faltou para que houvesse de fato uma República no Brasil e um sentimento nacional? Faltou uma colônia de povoamento, faltou uma chance de o povo chegar ao poder de fato, faltaram investimentos na educação, faltou humildade, faltou justiça, faltaram homens-livres que quisessem ver um futuro melhor não apenas para seus filhos, mas também para os netos de seus vizinhos.

Considerações finais

O objetivo deste trabalho , é mostrar ao leitor, como o Brasil foi vitima desde o seu descobrimento de roubos, de exploração, de uma política voltada a interesses pessoais, controlado por alguns. Ressalte-se que desde 1500 não há uma ruptura política, não há alternância real e efetiva de poder, não há políticas sociais que visem promover mudanças.
Conclui-se que a corrupção é um mal diagnosticado no DNA da política nacional, que cabe a homens livres e de bons costumes, construtores de uma sociedade ética, digna, iluminados por um Deus que tudo vê, colaborarem com seus quadros, com sua prática, sua vivência de momentos de eficaz mudança nacional, é o que espero ter mostrado aqui.

Só é possível a construção de uma verdadeira identidade nacional a partir do momento que houver uma ruptura real com as oligarquias que permanecem no poder anos após anos. Hoje, a forma acessível de mudanças é o voto consciente nas Eleições Municipais e Gerais. A participação de pessoas de todas as camadas sociais e culturais é necessária para mudar esse panorama descrito neste Trabalho. É necessário tomar consciência que não se trata de continuar agindo como povo, como uma massa uniforme sem vontade própria, mas como cidadãos com capacidade de gerir uma mudança substancial na sociedade. Segundo Noberto Bobbio, em a Era dos Direitos:
A democracia moderna repousa na soberania não do povo, mas dos cidadãos. O povo é uma abstração, que foi freqüentemente utilizada para encobrir realidades muito diversas3
Hoje já é possível fala-se em mudanças, de denunciar corrupção, exploração, sem medo de retaliação ou censura, as escolas democráticas estão alicerçando, dentro das Igrejas, sindicatos, escolas, da própria Maçonaria, o povo está mais politizado, mais critico, e cada vez mais reconhecendo seus direitos.
Ao elaborar este trabalho, houve um, fato inédito na política nacional, que foi o um governador de Estado, ser preso por envolvimento em corrupção, e a possibilidade de intervenção federal, isso só é possível com engajamento social, amadurecimento político-social, de um povo que sabe de sua capacidade, de sua força, de seu trabalho. O povo brasileiro é um povo trabalhador, um povo alegre, que pula nas ruas com o carnaval, mesmo com tantos problemas, e que agora passa a lutar por um protagonismo em uma sociedade sem diferenças de cor, sexo, religião, classes, e que está vendo um Brasil para os brasileiros, é o que queremos, é o que veremos, é o que seremos, com Liberdade, Igualdade e Fraternidade, Justa e Perfeita.


BIBLIOGRAFIA

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