15 de nov de 2013

O Individualismo e o patrimonialismo no Brasil O Público e o Privado


*Vítor Andrade

O individualismo e o patrimonialismo no Brasil, infelizmente, ainda  é confundido com o privatismo. Na primeira impressão  podem parecer sinônimos mas não são. No Brasil a privatização começou logo cedo, com o Português Fernando de Noronha. Em 1504 com o nosso país recém descoberto, o então Rei de Portugal D. Manuel I, na data de 16 de Fevereiro, entregou carta patente dando direito de Fernão de Noronha ou Fernando, a explorar, a ilha, sendo a primeira capitania hereditária do Brasil, logo depois D. Manuel I doou, como se fosse dele, a Ilha para Fernando de Noronha.

Nosso país ainda não conseguiu separar o Estado da vida privada, e o que se vê é a cada dia a população mais revoltada, principalmente quando se fala da vida política partidária. Como dizia o gaúcho Barão de Itararé ou  Aparicio Torelli: "Certos políticos brasileiros confundem a vida pública com a privada", aliás, Barão já é um titulo nobiliárquico, que foi muito distribuído no período colonial e imperial, o Barão pertence a Nobreza do Estado, no caso monarquista, mas Aparicio utilizava esse titulo como pseudônimo,  para criticar o Estado. Dom Pedro I, Defensor perpétuo do Brasil, quando foi jurar a constituição de 1824 declarou que defenderia a  nossa  constituição se ” fosse digna do Brasil e de Mim.”

O Brasil infelizmente pulou algumas etapas sociais, como toda a beleza contrastada e  rebuscada da Idade Média, o Brasil é “descoberto” em 1517. Enquanto aqui havia exploração, na Alemanha Lutero já havia questionado o Poder da Igreja Católica com alta carga de renascimento que nós não sentimos em nosso processo de formação.

O divisor de águas da Idade moderna para a Idade Contemporânea é a Revolução Francesa em 1789, mas não podemos esquecer que mais de 100 anos antes a Inglaterra já havia realizado a revolução puritana, já havia discutido o modelo de Estado e já havia  cortado a cabeça de seu Rei. A América Anglo saxônica, já havia declarado Independência, e o Brasil ainda era colônia, quando nós ficamos “Independentes” muitos outros países Latino-Americanos, já estavam independentes. Só para citar: Perú e Venezuela entre outros,  o que dizer de nossas Universidades, uma das primeiras  Universidade da América-Latina é a do Peru em 1551, e a do Brasil é do Amazonas em 1909, segundo o livro dos recordes e a própria UFAM, e com as leis brasileiras.

O Brasil, não viveu as Revoluções Industriais, nós não passamos por duas Guerras mundiais para termos que  construir e reconstruir um Estado, o próprio Deodoro da Fonseca que fez a nossa proclamação da República era monarquista, e não sabia se gritava Viva a Monarquia ou Viva a República, ou seja a construção do povo brasileiro foi feita às avessas, misturando o público como privado. Quando fizeram a “abolição da escravatura”, poderiam ter feito a Reforma Agrária. Soltaram os ex-escravos nas ruas, e ainda indenizaram os senhores de escravos, sendo que o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão no mundo.

Quem não se lembra do Ministro do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que disse certa vez: “Gente, cachorro também é gente” quando foi flagrado levando seu cachorro para passear em carro oficial. E não para por aqui, é ministro viajando de avião pago por empreiteira, é lobista dando presentes de fim de ano para funcionários do Governo, é a Máquina pública inchada de cargos em comissão para fazer propaganda política.

E o que dizer de nosso Judiciário, que não presta contas para a sociedade. Tem motorista levando filho de ministro para escola e até para faculdade, e o mais inusitado o motorista atrapalhado ou cheio do poder ainda estacionou o carro oficial na vaga para deficiente. Ainda tem ministro que diz: “Eu sou Ari Pargendler e você está demitido!!!,. No filme Cidade de Deus tem uma cena em que um personagem grita: Dadinho é o C... meu nome agora é Zé Pequeno, quem falou que a boca é tua!”, resumindo: eu é quem mando nisso aqui é meu, em ambos os casos.

O Estádio do Curintia  é uma obra privada, feita com dinheiro público, afinal é publico ou privado? Nossa sofrida e mal remunerada policia militar é quem faz a segurança dos torcedores nos jogos, alguém sabe me dizer por quê? A PM ao invés de ir para as ruas vai para os estádios, e ainda vem o Ricardo Teixeira dizer que não deve prestar contas à sociedade. Por que somente a Globo tem direito a exclusividade em jogos da seleção de jogadores nascidos no Brasil?

É o público misturado como privado, mas só para os ricos. O pobre se contenta em por carro na calçada, em fazer calçada desnivelada, em por cone de ferro e por até corrente para ninguém passar. Infelizmente quem vê os poderosos fazendo o que querem, quer fazer aqui em baixo o mesmo, mas de acordo com seu poder. Acabaremos com isso quando? Quando o professor, for valorizado, motivado, bem remunerado, e os alunos puderem ter um professor idealista, que dá aulas com prazer, em uma escola bem equipada. Em um Brasil com tantas desigualdades, haja ao menos igualdade entre alunos e mestres, lembrando que igualdade não é ausência de hierarquia. E é assim que sonhamos, acreditamos e assim será.


Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Pra mim! Pra mim, pra mim


*Vítor Andrade
Professor de história
Pós graduado em História da Maçonaria
Diretor do SINPROEP-DF


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